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We are One Tour :::31/03/26 ::: Audio
Postado em 04 de abril de 2026 @ 14:58

Texto e Fotos : Flavio Santiago

Pennywise e Millencolin comandam noite histórica no We Are One Tour na Audio

O We Are One Tour sempre carregou no próprio nome uma promessa ambiciosa, mas que, em São Paulo, ganha forma de maneira quase espontânea. A passagem mais recente pela Audio reforçou esse espírito ao transformar a casa em um verdadeiro ponto de encontro entre gerações do punk hardcore, conectando histórias, estilos e diferentes fases de uma cena que insiste em permanecer viva.

Desde cedo, o público já ocupava a pista com aquela energia típica de noites que prometem ser especiais. Coube à The Monic abrir os trabalhos com um set direto e sem rodeios, apostando em riffs pesados e presença de palco firme. A banda conseguiu rapidamente capturar a atenção da audiência, funcionando como um pontapé inicial eficiente para a escalada de intensidade que viria a seguir.

Na sequência, os canadenses do Mute mostraram por que vêm se consolidando como um dos nomes interessantes do hardcore melódico atual. Com velocidade, técnica e refrões marcantes, o grupo encontrou um público já aquecido, que respondeu com os primeiros pogos mais consistentes da noite, preparando o terreno para a entrada dos headliners.

Quando o Millencolin subiu ao palco, a Audio já estava completamente tomada. A banda construiu um setlist extenso e muito bem distribuído, funcionando como uma verdadeira retrospectiva da carreira. A abertura com “Penguins & Polarbears” já colocou o público em modo de celebração, seguida por “Bullion” e “Sense & Sensibility”, que ajudaram a estabelecer o ritmo acelerado da apresentação.

Ao longo do show, o grupo alternou momentos mais melódicos e introspectivos com explosões de energia. “Ray” e “Olympic” trouxeram um equilíbrio interessante, enquanto “Leona” e “Fingers Crossed” mantiveram a conexão emocional com o público. “Nothing” e “Lozin’ Must” reforçaram o caráter mais cru da banda, preparando o terreno para uma sequência que elevou ainda mais o nível do show.

“The Story of My Life” e “Farewell My Hell” apareceram como pontos altos, seguidas por “The Ballad” e “SOS”, que foram cantadas em coro. Já na reta final, “Fox”, “True Brew” e “Pepper” mantiveram a intensidade lá em cima, antes do bloco decisivo com “Mr. Clean”, “Kemp” e “Happiness for Dogs”.

O encerramento com “No Cigar” foi, como esperado, um dos momentos mais catárticos da noite, com a pista inteira cantando cada verso como um hino geracional.

Se o Millencolin já havia entregado um show consistente e envolvente, o Pennywise levou a experiência para outro nível. A entrada ao som de “(Intro) As Long as We Can” funcionou como um prenúncio do que viria: uma sequência praticamente ininterrupta de clássicos.

“Peaceful Day” e “My Own Country” abriram os trabalhos com força total, seguidas por “It’s What You Do With It” e “Same Old Story”, que mantiveram a pista em constante movimento. “Every Single Day” e “Straight Ahead” ampliaram a intensidade, enquanto “Fuck Authority” foi recebida como um verdadeiro grito coletivo.

Um dos momentos mais interessantes veio com o medley que misturou referências da cena californiana, incluindo trechos de bandas como NOFX, Circle Jerks, Agent Orange e outras, mostrando a forte influência e conexão do Pennywise com essa tradição. A sequência com “Do What You Want”, do Bad Religion, reforçou ainda mais esse elo histórico.

Na reta final, “Alien”, “Society”, “Perfect People” e “Living for Today” consolidaram o domínio da banda sobre o público, enquanto “Broken” trouxe um momento mais carregado emocionalmente. Em “Stand by Me”, a conexão entre as bandas ficou ainda mais evidente com a presença dos integrantes do Millencolin no palco, dividindo os vocais e transformando a música em um momento coletivo que sintetizou o espírito da turnê.

Antes do encerramento, um momento especial reforçou ainda mais a relação com o público brasileiro. O Alemão subiu ao palco para anunciar o próximo show do Pennywise no Hangar 110, marcado para o dia 23 de maio, já com ingressos esgotados, evidenciando a força contínua da banda por aqui.

O encore com “Bro Hymn” foi simplesmente definitivo. Com integrantes do Mute, The Monic e fãs invadindo o palco, a música se transformou em um verdadeiro ritual coletivo, simbolizando com precisão o espírito do festival. Não havia mais separação entre banda e público, apenas uma massa unificada cantando em uníssono.

Mais do que um festival, o We Are One Tour se confirma como uma experiência. Não se trata apenas de assistir a shows, mas de participar de um encontro que reforça valores como comunidade, resistência e pertencimento. Em uma época de eventos cada vez mais padronizados, a noite na Audio mostrou que o punk ainda encontra formas autênticas de se manter relevante.

 
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